Nutrição comportamental: o que é, principais transtornos alimentares e quando buscar ajuda
Entenda o que é nutrição comportamental, os transtornos alimentares mais comuns, sinais de alerta, como pedir ajuda e quais profissionais podem apoiar.
Lais
2/25/20263 min read
Nutrição comportamental é uma abordagem da nutrição que olha muito além de calorias, lista de alimentos “proibidos” e dietas prontas: ela foca na relação da pessoa com a comida, com o corpo e com as emoções, buscando mudanças de hábito que sejam de fato sustentáveis e respeitosas.
Na nutrição comportamental, o foco não é apenas o que a pessoa come, mas por que, como, quando e em que contexto ela come. Essa abordagem considera fatores fisiológicos, sociais, culturais e emocionais que influenciam as escolhas alimentares, e não só o cálculo de nutrientes e calorias.
Em vez de apenas prescrever uma dieta rígida, o profissional ajuda o paciente a reconhecer sinais de fome e saciedade, diferenciar fome física de fome emocional e identificar gatilhos, como estresse, ansiedade ou culpa. A ideia é construir uma relação mais gentil e consciente com a comida, promovendo autonomia, e não controle, e reduzindo o ciclo de restrição, compulsão e frustração.
Transtornos alimentares mais conhecidos
Transtornos alimentares são doenças sérias, em que o comportamento alimentar e a forma de enxergar o corpo ficam profundamente alterados, trazendo sofrimento emocional e riscos à saúde física. Os mais conhecidos são:
Anorexia nervosa: marcada por medo intenso de engordar, distorção da imagem corporal e restrição alimentar extrema, podendo levar a emagrecimento grave.
Bulimia nervosa: episódios recorrentes de comer grandes quantidades de alimento em pouco tempo, seguidos de comportamentos compensatórios, como vômitos provocados, uso de laxantes, diuréticos ou exercícios em excesso.
Transtorno de compulsão alimentar: episódios de ingestão de grande quantidade de comida com sensação de perda de controle, mas sem os comportamentos compensatórios típicos da bulimia.
Todos esses transtornos podem causar complicações importantes, como alterações hormonais, problemas cardíacos, gastrointestinais, desnutrição ou obesidade, além de grande impacto na autoestima e na vida social.
Quem é mais afetado
Os transtornos alimentares aparecem com mais frequência em adolescentes e adultos jovens, especialmente mulheres, mas a incidência em homens e em crianças tem aumentado. Grupos submetidos a forte pressão estética ou de desempenho, como modelos, bailarinos, atletas e pessoas que vivem em dietas rigorosas, também são considerados de maior risco.
Fatores como padrões de beleza que valorizam a magreza extrema, uso indiscriminado de remédios para emagrecer, histórico de bullying, perfeccionismo, baixa autoestima e dinâmicas familiares conflituosas podem contribuir para o surgimento ou manutenção desses transtornos. Além disso, ter iniciado dietas muito restritivas desde cedo é frequentemente relatado por quem desenvolve anorexia, bulimia ou compulsão alimentar.
Como identificar sinais de transtornos alimentares
Nem todo comportamento estranho com comida é um transtorno, mas alguns sinais merecem atenção, principalmente quando são persistentes e trazem sofrimento. Entre eles, podemos citar:
Preocupação exagerada com peso, calorias e aparência, com medo intenso de engordar.
Dietas muito restritivas, que se repetem, seguidas de episódios de “descontrole” com a comida.
Evitar comer na frente de outras pessoas, recusar refeições em família com desculpas frequentes.
Uso de laxantes, diuréticos, vômitos provocados ou exercícios extremos para “compensar” o que comeu.
Perda de peso rápida e intensa ou grande oscilação de peso, sem motivo médico claro.
Vergonha, culpa, ansiedade ou tristeza intensas relacionadas à comida ou ao corpo.
Em adolescentes, mudanças bruscas de comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar e interrupção da menstruação nas meninas também são alertas importantes.
Como pedir ajuda e quais profissionais podem colaborar
Quando a relação com a comida passa a gerar sofrimento, culpa, medo ou perda de controle, é hora de pedir ajuda, mesmo que ainda não haja diagnóstico fechado. Um primeiro passo pode ser conversar com alguém de confiança, como familiar, amigo ou professor, e, em seguida, buscar avaliação com profissionais de saúde.
Os transtornos alimentares costumam ser tratados de forma multidisciplinar, com participação de:
Psiquiatra: médico responsável pelo diagnóstico, avaliação de medicamentos quando necessários e acompanhamento da saúde mental.
Psicólogo: trabalha autoestima, imagem corporal, emoções, pensamentos distorcidos e estratégias para lidar com o dia a dia, muitas vezes com terapia cognitivo-comportamental.
Nutricionista (especialmente com abordagem comportamental): ajuda a reconstruir uma relação mais equilibrada com a alimentação, sem terrorismo nutricional, respeitando sinais internos e necessidades do corpo.
Outros profissionais, como médico clínico, endocrinologista e equipe hospitalar, podem ser necessários em casos graves, com risco físico importante.
Em situações de sofrimento emocional intenso ou risco de autoagressão, serviços de apoio como o Centro de Valorização da Vida (telefone 188, atendimento 24h no Brasil) podem oferecer escuta imediata, enquanto a pessoa organiza a busca por atendimento presencial. Quanto mais cedo o transtorno é identificado e tratado, maiores as chances de recuperação e de construção de uma relação mais saudável e compassiva com o corpo e com a comida.
Referência
Inccor, Psicóloga Fabíola – Nutrição comportamental, foco em comportamento e fome emocional.
Fiocruz – Anorexia e bulimia: definição, grupos de risco, sinais e tratamento.

