Modismos alimentares e medicamentosos: riscos, frustrações e como buscar um emagrecimento duradouro
Entenda por que dietas da moda e remédios “milagrosos” para emagrecer, podem frustrar resultados. Veja como avaliar informações, fugir de modismos e alcançar perda de peso duradoura com base científica.
Lais
2/13/20263 min read
Modismos alimentares são dietas ou estratégias nutricionais que ganham fama repentina nas redes sociais, revistas e rodas de conversa, geralmente com promessas de emagrecimento rápido, “detox” ou “reset metabólico”. Em comum, costumam ter forte apelo emocional, regras rígidas, cortes radicais de alimentos e resultados apresentados como quase milagrosos.
Já os modismos medicamentosos envolvem o uso de remédios novos ou reposicionados, alardeados como solução definitiva para emagrecer, muitas vezes divulgados por celebridades antes mesmo de a população entender indicações, riscos, efeitos colaterais e limitações dessas terapias. Nesses dois casos, a divulgação costuma vir antes de uma compreensão crítica da ciência disponível.
Alguns exemplos de dietas ilustram bem esse ciclo de euforia e frustração: dieta da sopa, dieta do ovo, jejum intermitente sem contexto estratégico. Revisões de literatura apontam que dietas da moda tendem a ser restritas em nutrientes, desbalanceadas e associadas a riscos metabólicos e de transtornos alimentares quando usadas sem acompanhamento profissional.
O Mounjaro (tirzepatida) é um medicamento injetável de uso semanal, inicialmente aprovado para diabetes tipo 2 e, mais recentemente, para tratamento de obesidade e sobrepeso, com estudos robustos mostrando perda de peso significativa quando associado a dieta e exercícios.
Por outro lado, a tirzepatida não é isenta de riscos: causa com frequência efeitos gastrointestinais como náuseas e vômitos e exige avaliação criteriosa de indicação, acompanhamento médico e monitorização de segurança. Guias clínicos reforçam que medicamentos antiobesidade são parte de um plano amplo, que inclui mudanças de estilo de vida e abordagem multiprofissional, e não substitutos de alimentação equilibrada e atividade física.
Perder peso temporariamente x perder peso de forma duradoura
Perder peso de forma transitória é relativamente fácil: basta criar um déficit calórico grande e rápido, como ocorre em dietas extremamente restritivas (sopa, líquidos, substituições de refeição) ou uso inadequado de medicamentos. Esse tipo de intervenção, porém, costuma levar à perda de massa muscular, redução do gasto energético de repouso e grande chance de recuperar – e às vezes ultrapassar – o peso inicial, o famoso efeito sanfona.
A perda de peso duradoura é mais lenta, exige déficit calórico moderado, alimentação variada e plano que a pessoa consiga manter no dia a dia, mantendo o máximo possível de massa magra. Em geral, diretrizes consideram metas como perder 5% a 10% do peso em 6–12 meses e, depois, manter essa perda, o que já traz benefícios metabólicos importantes mesmo sem atingir um “peso de revista”.
Como ter informações melhores e não cair em modismos
Algumas atitudes ajudam a avaliar se algo é modismo ou cuidado sério com a saúde:
Desconfiar de promessas de resultado rápido, números espetaculares e frases como “sem esforço” ou “sem mudar sua rotina”.
Verificar se há estudos científicos, revisões e diretrizes de sociedades médicas apoiando aquela estratégia, e não apenas relatos de influenciadores.
Consultar profissionais habilitados (nutricionistas, médicos, psicólogos) em vez de seguir receitas prontas da internet.
Observar se o método considera sua história de saúde, uso de medicamentos, rotina, preferências alimentares e saúde mental.
Buscar fontes confiáveis, como diretrizes de sociedades científicas, órgãos reguladores (como Anvisa) e instituições de saúde, reduz muito o risco de frustração e prejuízos à saúde.
Dicas para perda de peso duradoura
Para sair do ciclo de modismos, o foco precisa ser mudança consistente de estilo de vida.
Alguns pilares importantes:
Alimentação balanceada: priorizar alimentos in natura e minimamente processados, com distribuição adequada de carboidratos, proteínas e gorduras, permitindo variedade e prazer ao comer.
Déficit calórico moderado: reduzir em torno de 500 a 1.000 kcal por dia, quando indicado, o que gera perda de peso gradual e mais sustentável, com menor risco de carências e efeito sanfona.
Movimento regular: combinar exercícios aeróbicos com treino de força ajuda a preservar massa muscular, melhora a sensibilidade à insulina e aumenta o gasto energético diário.
Suporte emocional e comportamental: acompanhamento psicológico ou abordagem comportamental ajuda a lidar com compulsão, ansiedade, crenças sobre o corpo e relação com a comida.
Uso responsável de medicamentos: quando indicados, fármacos como a tirzepatida devem ser parte de um plano estruturado, com metas realistas e acompanhamento próximo, nunca ferramenta isolada para “secar para o verão”.
Emagrecimento duradouro não nasce de promessas rápidas, mas de escolhas consistentes alinhadas à ciência e à realidade de cada pessoa.



